Ana Carolina: uma voz que vale ouro
jun 15, 2000 | Cantinho da Ana | Ana de 1999 a 2005 | 0

Há uma nova voz entre os grandes vendedores de discos do Brasil.

 

Grave, firme e cheia de personalidade. Poucos são os que ainda não ouviram uma música dela: Garganta, Tô Saindo, a balada Nada pra Mim, a versão bluseira de Retrato em Branco e Preto… De hit em hit, show em show, a mineira de Juiz de Fora Ana Carolina chegou lá: com menos de um ano de lançado, seu homônimo disco de estréia bateu a marca das 100mil cópias vendidas, ganhando, conseqüentemente, um disco de ouro.

O feito, tão incomum para discos de novos artistas, ela comemorou sábado, dia 17, no palco do ATL Hall (Rio de Janeiro). Amadrinhada por Zezé Motta no começo da carreira, Ana agora dividiu o show com Marina Lima, uma de suas mais novas admiradoras. “Marina é uma cantora única e uma grande compositora. Existe um elo muito forte entre nós duas no lance da personalidade, no critério de escolher as músicas e de arranjá-las“, diz.

Violonista e pandeirista, Ana não abriu mão da autonomia ao gravar seu disco, que teve produção do baixista Nilo Romero – é dela a concepção dos arranjos de boa parte das faixas. “Fiz o que estava a fim de fazer“, conta. “E quando se trabalha com verdade, fica-se muito satisfeito.” Mais do que com cifras e montantes, a cantora de 25 anos de idade diz estar feliz mesmo é com o fato de ter levado a um público jovem (e não só àquele malfadado nicho do adulto contemporâneo) duas músicas de Chico Buarque: o Retrato em Preto e Branco (parceria com Tom Jobim) e Beatriz (com Edu Lobo).

Paixão pela canção Mas nem só de medalhões é feita a dieta de intérprete de Ana. Com Garganta, ela revelou para o país o talento do compositor Totonho Villeroy. “Se tivesse que gravar um disco só de um autor, seria dele. Ele é um cara que leva a música a sério há muito tempo“, elogia, feliz de ter ouvido em suas andanças um sujeito do Sul, como Totonho “sendo cantado por alguém no Ceará“. Uma máxima, aliás, orienta a cantora: “Se a canção é boa, pode ser do Zé das Couves. Gosto de músicas, não de nomes.

Na gaveta de Ana Carolina estão agora, à espera de gravação, músicas inéditas de Adriana Calcanhotto, Vanessa da Matta, Mu Chebabi e Max de Castro. Isso, para não falar nas suas próprias composições, que são várias (no disco, ela gravou Armazém, A Canção Tocou na Hora Errada e O Avesso dos Ponteiros). Disco novo, porém, só em 2001. Esse disco ainda tem muito fôlego. Não acho que ele seja um grande sucesso em termos de Brasil. Temos 150, 160 milhões de habitantes! (risos) Estou com shows marcados até outubro, só depois entro em estúdio. Mês que vem, inclusive, apresento-me na França“, conta.

Para a noite no ATL Hall, Ana preparou uma novidade percussiva em Armazém: “Chamei cinco pandeiristas para tocá-la comigo, os caras que eu acredito serem os melhores do mundo – Marcos Suzano, Bani, Murilo O´Reilly, Jovi Joviniano e Marco Lobo.” O cenário do show (criado por Luís Stein), por sinal, é um grande armazém de interior, com aqueles produtos corriqueiros, como água sanitária e biscoito de polvilho.

É uma homenagem a Minas e uma forma de mostrar o grande valor das coisas simples e pequenas“, diz.

A nova voz da MPB
jan 12, 2000 | Cantinho da Ana | Ana de 1999 a 2005 | 0

A mineira Ana Carolina, 25 anos, acabou de chegar à cena musical, mas já tem duas grandes metas para 2000: divulgar a MPB entre os adolescentes e revitalizar a bossa nova.

A missão já começou: em 1999, ela lançou seu primeiro disco, Ana Carolina, que traz novos ares à música brasileira. Como no arranjo nada convencional de “Retrato em Branco e Preto”, de Chico Buarque e Tom Jobim.

Ana transformou um dos ícones da bossa nova num blues tocado no violão. A versão não só foi aprovada como louvada pelo criador: Chico convidou-a a gravar duas canções suas no Songbook, lançado em dezembro. “É superimportante ter o reconhecimento dos grandes artistas. Sou fã número zero do Chico“, diz a cantora e compositora, que já chegou aos 70 mil discos vendidos e inspirou comparações com Cássia Eller, Marina Lima e Maria Bethânia. “Todos precisam de referências. Embora não me pareça com elas, fico contente pela comparação.” Ana Carolina iniciou a carreira há cinco anos e rodou muito até ser apontada como a grande promessa da MPB para o ano 2000. Assim que tirou carteira de habilitação, caiu na estrada. “Rodei o interior de Minas e do Rio. Levava tudo no carro: as caixas e mesas de som, e montava o show em qualquer lugar“, conta.

O repertório: Chico, Edu Lobo e composições próprias. Nos palcos, um banquinho, um violão, uma guitarra e um pandeiro. Tudo tocado por ela. “Sou a primeira mulher a ter projeção na mídia tocando pandeiro“, orgulha-se.

Revista Isto É

Ana Carolina
nov 9, 1999 | Cantinho da Ana | Ana de 1999 a 2005 | 0

Sucesso da “Garganta” consagra Juiz de Fora nas paradas nacionais

Os fãs da Música Popular Brasileira logo se encantaram com a voz grave e o estilo marcante de Ana Carolina, a juizforana de 25 anos que estourou na mídia nacional. O sucesso começou neste ano, com a canção “Garganta”, que esteve na trilha sonora da novela Andando nas Nuvens, da Rede Globo. E se consagra com a venda de mais de 70 mil cópias do CD (sobre o CD, clique aqui.)

No último dia 5 de novembro, ela voltou à cidade depois de oito meses fora, para um show no Theatro Central. Em entrevista ao JFService, momentos antes do espetáculo, Ana declarou: “Adoro Juiz de Fora. Meus sonhos começaram aqui. A cidade continua no meu coração. Eu ando pelas ruas da cidade e me vejo. E é um grande prazer tocar no Central, um dos teatros mais bonitos do Brasil.”

A cantora já quebrou recordes de bilheteria com as apresentações no Rock in Rio Café de Salvador e no Sesc Pompéia, em São Paulo. Ela segue pelas capitais do país em temporada de shows. Este ano, estão agendadas novas apresentações em São Paulo, Brasília, Porto Alegre, Salvador, Fortaleza, Recife, Maceió, Natal e Teresina.

Comparada a Cássia Eller, Maria Bethânia e Zélia Duncan, pelo timbre de voz grave, Ana ressalta que o estilo não se parece em qualquer ponto. Dentre as referências musicais da cantora estão Rita Lee, Raul Seixas, Milton Nascimento, Cartola, Carlinhos Brown, Otto e Chico Buarque, de quem é fã confessa. No songbook do cantor, ela terá duas participações (“Mil Perdões” e “Eu te amo”).

Ana Carolina de Souza nasceu em nove de setembro de 1974. Moradora do bairro Granbery, estudou no colégio de mesmo nome, fez cursinho pré-vestibular e chegou a cursar Letras por um tempo, até que sua veia artística “falou mais alto”. Durante cinco anos e meio, se apresentou na noite de Juiz de Fora, acompanhada de um público fiel.

Curiosidade:
Ana Carolina é internauta curiosa e navega por sites de jornais do país inteiro. Sobre as gravações em MP3, ela afirma: “Que seja bem vinda esta nova forma de levar a música às pessoas.

Luciana Mendonça

Cantarolando um blues abrasileirado
set 28, 1999 | Cantinho da Ana | Ana de 1999 a 2005 | 0

Cantora eclética. A expressão, a princípio despretenciosa, tornou-se uma espécie de chavão do mal nos últimos anos, a ponto de servir, hoje em dia, apenas como crítica ou motivo de chacota. Por sorte a definição (nas duas acepções, a original e a pejorativa) não cabe em Ana Carolina, disco de estréia da cantora que já mostra saber das coisas ao batizá-lo simplesmente com seu nome.

A moça de Juiz de Fora, de apenas 24 anos e cinco de carreira na indefectível escola da noite, tem uma cara musical pra lá de definida: violões levemente blueseiros – sem fronteiras bem traçadas, chegando perto do tango em momentos como a ótima canção Alguém Me Disse, dos consagrados Evaldo Gouvêia e Jair Amorim, pontuada por um angustiado violoncelo -, firmeza na voz grave e a deliciosa mania de cantarolar sem jamais cair no tedioso exibicionismo vocal. E letras pra lá de pessoais, daquelas que fica difícil ouvir sem prestar atenção.

Simplicidade

Ana Carolina, produzido por Nilo Romero, é um disco relativamente simples, sem aquela metralhadora giratória de fusões, batidas e influências tão comum em trabalhos de estréia. Sua força sai basicamente da voz – nas letras e melodias – de Ana, ao lado das cordas de violões (tocados por ela mesma) e eventuais arranjos de cellos e violinos.

Em Tô Saindo, que abre o CD, a percussão com um ligeiro suingue nodestino dá o tom, abrindo caminho para o trovejar da voz da cantora. O clima se repete em faixas como Armazém, arranjada apenas com percussão (Ana segura também o pandeiro) e vozes. A força dos violões está por todo o disco, na rasteira de Garganta – feita para ela pelo compositor Totonho Villeroy – (Aprendi a me virar sozinha/E se eu tô te dando linha/É pra depois te abandonar/Com direito a risadinha debochada), no rabo-de-arraia de Perder Tempo Com Voce no nocaute do clássico Retrato em Preto e Branco, em visita ao Delta do Mississipi. ê

Outras versões do disco são a da bela Beatriz, de Chico Buarque e Edu Lobo (com violão de Paulinho Moska) -, o ápice de um ladinho baladeiro bem representado por Nada Pra Mim a A Canção Tocou Na Hora Errada – e Tudo Bem, de Lulu Santos, um ótimo pop com vocais de Milton Guedes. Tanta personalidade em uma estréia só pode ser culpa da ausência do tal ecletismo. Que assim seja.

Bernardo Araújo/Divulgação